Um embrulho anônimo, deixado na portaria de um jornal, chega às mãos de um escritor já maduro e rompe a rotina de uma tarde qualquer. Reconhecendo ali a caligrafia e o estilo do pai morto há anos, ele se vê arrastado para uma torrente de lembranças: o Rio antigo, as histórias mirabolantes de Ernesto Cony Filho, a infância temperada por afeto, deslumbramento e frustrações silenciosas. O simples pacote transforma-se em portal para um passado que nunca se organiza por completo, feito de cenas soltas, vozes que retornam e uma saudade que não sabe se é memória ou invenção.
Entre a crônica bem-humorada e o romance de formação, Quase memória é o retrato íntimo de um pai irresistível e imperfeito, sempre prometendo “grandes coisas” para o dia seguinte, e de um filho que tenta salvar da perda aquilo que só existe enquanto é contado.
Nas idas e vindas da narrativa, o livro celebra o poder da lembrança de reinventar o que se viveu, ao mesmo tempo em que expõe a fragilidade de tudo o que se tentou guardar. É uma homenagem comovente e irônica aos laços familiares, à cidade que mudou e à própria arte de transformar vida em literatura.