Neste romance em forma de diário, um funcionário público de Belo Horizonte registra, com ironia e melancolia, os dias medíocres de uma repartição que não fomenta nada além do seu próprio lirismo. Solteirão de quase quarenta anos, ele vive dividido entre o tédio da rotina burocrática, um amor antigo sem resolução e amizades que se desfazem enquanto ele permanece parado no tempo.
A prosa elegante e irônica, próxima da tradição machadiana, transforma episódios miúdos, como uma prisão por suspeita de comunismo ou uma viagem ao Rio de Janeiro, em pretexto para autoanálise implacável. Acompanha-se a mente inquieta de um homem que não encontrou rumo na vida, num retrato afiado da inércia provinciana e da vida interior que a rotina insiste em abafar.
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