Nas páginas de um diário, o Conselheiro Aires, diplomata aposentado que retorna ao Rio de Janeiro, registra os dias de 1888 e 1889 com olhar discreto e penetrante. Sexagenário solitário, ele observa a viúva Fidélia em luto perpétuo, o casal Aguiar e sua ternura pela jovem, e Tristão, dividido entre dois continentes.
Neste último romance, Machado de Assis nos oferece uma meditação melancólica sobre a passagem do tempo, onde a abolição da escravatura e os estertores do Império são apenas sussurros ao fundo de dramas íntimos. Entre reflexões argutas e relatos cotidianos, Aires tece uma trama onde o não dito revela mais que as palavras.
Este testamento literário de Machado, escrito às vésperas de sua própria morte, é uma obra de rara delicadeza que fala de amor desinteressado, fidelidade e dos vínculos que nos sustentam diante do vazio da velhice.
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