A premissa é simples: e se o atropelamento que matou o crítico e semiólogo francês Roland Barthes não tivesse sido um acidente, mas sim um crime? E se o autor de Fragmentos de um discurso amoroso tivesse sido vítima de uma conspiração por estar de posse de um manuscrito contendo a sétima função da linguagem, última parte da teoria do linguista Roman Jakobson nunca revelada, capaz de convencer qualquer um de qualquer coisa?
Nos meios intelectuais e políticos da Paris de então, em que transitam personagens como Foucault, Derrida, Deleuze, Althusser e Guattari, qualquer um pode ser o culpado…
Roland Barthes aperta o passo sem notar nada no ambiente que o cerca, ele, que no entanto é um observador nato, ele, cuja profissão consiste em observar e analisar, ele, que passou a vida inteira encurralento todos os signos. Relamente, não vê as árvores nem as calçadas nem as vitrines nem os carros do Boulevard Saint-Germain, que ele conhece de cor. Mal e mal ouve os barulhos da rua...
Ainda lhe restam algumas dezenas de metros até chegar à sua sala, quando é atropelado por uma caminhonete. Seu corpo produz o som surdo, característico, horrível, da carne que se choca na chapa metálica e vai rolar sobre a calçada como uma boneca de pano. Os passantes levam um susto. Naquela tarde do dia 25 de fevereiro de 1980, eles não podem saber o que acaba de acontecer diante de seus olhos, e com toda razão, pois até hoje o mundo ainda o ignora. Minha vontade é contar a vocês o que realmente aconteceu.
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