Olhos d'Água

Conceição Evaristo

279º

Um conjunto de contos reúne memórias e vivências ficcionalizadas de mulheres negras brasileiras, entre mães, avós, domésticas, meninas e ex-prostitutas, retratadas em situações cotidianas marcadas pela pobreza e pela violência urbana.

Sem recorrer a artifícios fantasiosos, as narrativas curtas expõem o racismo e as desigualdades de gênero com uma escrita ao mesmo tempo crua e poética, em que dor e ternura convivem lado a lado. É a literatura como extensão da própria vida, no que a autora chamou de escrevivência.

Reunindo histórias publicadas originalmente na série Cadernos Negros ao lado de textos inéditos, a obra tornou-se uma das mais celebradas da literatura afro-brasileira contemporânea e venceu o Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas.

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Primeira publicação: 2014

Idioma: Português

ISBN da edição mais comum: 9788534705257

CDD: B869.93

Editora: Pallas


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Isso é tudo!

Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta.Sempre nomes inusitados,não usuais. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira,sempre pobres, sempre relacionamentos familiares.Com muita poesia em cada frase.Os finais de cada história , sempre surpreendente e é inesperado.

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