Argan acredita estar às portas da morte e nada, nem médicos prolixos nem receitas intermináveis, acalma sua aflição, até que a casa se torna palco de uma farsa deliciosa onde o amor de Angélique, a esperteza de Toinette e a hipocrisia de uma esposa interesseira se revelam em pleno dia, entre diagnósticos pomposos e purgas ameaçadoras.
Na última comédia de Molière, a sátira morde com leveza: entre consultas cobradas à vírgula e exames que nada examinam, a obsessão pela saúde expõe a alma – e a fortuna – do doente que não está doente, enquanto música e interlúdios lembram que a vida teima em dançar mesmo quando a morte é apenas um boato bem encenado.
Quando a família arma um velório de mentirinha, caem as máscaras: a madrasta revela cobiça, a filha revela amor, e Argan descobre que a cura pode ser rir de si mesmo, ou tornar-se médico por conveniência, num golpe final de ironia.
O doente imaginário é um retrato afiado da charlatanice e do poder, mas também uma comédia terna sobre medo e controle, onde o remédio é a inteligência das mulheres e a coragem de escolher o próprio destino, entrelaçando riso e crítica com a arte inigualável de Molière
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Primeira publicação: 1673
Idioma: Português
ISBN da edição mais comum: 9788526009295
Editora: Global
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