João Paulo é só um menino quando a seca expulsa sua família do sertão e os empurra para os mangues de Recife. Entre a lama e o Capibaribe, aprende que sobreviver significa virar caranguejo: comer do que o bicho come, viver do que ele vive, até se confundir com ele no ciclo que sustenta e devora os moradores da Aldeia Teimosa.
Com tom memorialístico, o único romance de um médico e geógrafo que dedicou a vida a estudar a fome no Brasil carrega o peso de quem viu de perto a miséria que descreve. A infância cede lugar ao trabalho duro no manguezal, e a fantasia do sertão distante dá lugar à urgência concreta da fome.
Mais que ficção, é o retrato de uma comunidade espremida entre o mundo rural que ficou para trás e a cidade que não a acolhe, cenário que ecoa até hoje em várias periferias nordestinas.