Neste romance de estreia (embora publicado só depois de duas décadas na gaveta), uma favela sem nome vive seus últimos dias antes do desfavelamento. É pelos olhos de Maria Nova, menina atenta e sensível, que o leitor percorre os becos e conhece os moradores que ali construíram uma vida.
A obra tece memórias individuais e coletivas de famílias afrodescendentes migradas para a cidade grande, entre lembranças da roça e o cotidiano duro da periferia urbana. Racismo, machismo, alcoolismo e a luta pela moradia atravessam relatos com linguagem seca e ao mesmo tempo poética, mais próxima da crônica do que do romance tradicional.
Escrito ainda nos anos 1980 e lançado só em 2006, o livro chegou ao público depois de Ponciá Vicêncio, embora tenha sido a primeira narrativa longa da autora.