Num cais entre a vida e a morte, um anjo e um diabo recebem as almas recém-chegadas em uma peça de teatro satírica do século XVI. Fidalgo, agiota, frade e alcoviteira tentam, cada um à sua maneira, negociar a passagem para o destino que preferem.
Classificado como auto de moralidade, o texto flerta com a farsa e ridiculariza a vaidade, a avareza, a hipocrisia e o abuso de poder de quem se achava intocável. O humor nasce das desculpas de cada passageiro e das respostas afiadas do diabo.
Primeira parte da trilogia das barcas, a obra é seguida por outros dois autos de travessia, o do purgatório e o da glória. O diabo como barqueiro das almas remete ao Caronte da mitologia grega.
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