A ÁRVORE DOS CANTOS

ANNE FRANCOISE BALLESTER SOARES (ORGANIZADOR)

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Idioma: Português

ISBN mais comum: 138618602

CDD: Indígena

Principal editora: JC DISTRIBUIDORA DE LIVROS

Capa de A ÁRVORE DOS CANTOS - ANNE FRANCOISE BALLESTER SOARES (ORGANIZADOR)

Veja os exemplares deste livro encontrados nas bibliotecas dos Livristas:

RESENHA COMPLETA (Cópia do Guia Digital do Pnld Literário 2018) A árvore de cantos: ou o livro das transformações contadas pelos Yanomami do grupo Parahiteri é um livro produzido por Anne Ballester Soares que reúne uma coletânea de textos indígenas de tradição oral. Essa seleta de cantos é composta por 14 narrativas míticas registradas na cultura Yanomami. A obra traz contribuição singular para a compreensão da mitologia indígena a partir da sintaxe xamatari, pois língua e cultura estão intimamente imbricadas. Os contos foram narrados oralmente pelo pajé Moraes, auxiliado pelos pajés Mauricio, Romário e Lauro, gravados e transcritos pelas comunidades de Ajuricaba, Komixipiwei e Cachoeira Aracá, e a tradução para o português contou com diversos especialistas, constituindo importante documento tanto para os Yanomami, quanto para os brasileiros, chamados de napë pelos indígenas. Cada capítulo traz um conto, explicando o surgimento de seres da natureza (cobras, papagaios, onça,noite), objetos ou hábitos (flecha, o corte de cabelo, o uso do tabaco), a origem do mundo e os conhecimentos dos Yanomami. Misturam, assim, a história e um riquíssimo vocabulário indígena, como xapono, cobra waro, bambu sunama, árvore paikawa, fruta pahi, que costuram as páginas em louvor à língua e à cultura Yanomami. Trata-se de valiosa entrada para estudos sobre a visão de mundo dos Yanomami. A tradução combina processos de subordinação próprios do português e a repetição típica de narrativas orais indígenas, bem como reformulações. A linguagem verbal apresenta recursos linguísticos que dão ao texto expressividade através do emprego de onomatopeias, metáforas. A mistura de uma transcrição quase literal do falar indígena, com algumas inserções a fim de adequá-lo à sintaxe do português, torna o texto híbrido, não assumindo compromisso com nenhuma das duas línguas e pode dificultar, se não houver acompanhamento do professor, pode gerar dificuldades para a leitura dos alunos. De todo modo, o gênero textual e a linguagem empregada são adequados ao nível de letramento dos alunos do Ensino Médio. O projeto gráfico-editorial propicia a leitura fluente da obra, pois a diagramação contribuiu para que o texto verbal esteja legível (tamanho da fonte e espaçamento entre linhas adequados) permitindo a sua visualização. O projeto gráfico da capa é simples: se, por um lado, foge ao clichê de representar a cultura indígena sempre pelo viés de suas pinturas corporais, por outro lado, não apresenta nenhuma referência nova, já que a cor branca de fundo com letras pretas não são comumente atraentes aos jovens de Ensino Médio. Capa e contracapa têm fundo branco, sem imagens e trazem respectivamente o título (em duas línguas), autora e um trecho de um dos contos, sem que convide o leitor à leitura da obra. No tópico Como foi feito este livro, a autora informa a autoria dos contos, o processo de gravação, transcrição e tradução e as muitas fases vivenciadas até chegar à edição atual.